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Detalhe de um arco de Alysio de MattosAteliê de Alysio de MattosTrabalho artesanal de Alysio de Mattos

Algumas palavras sobre o arco

A prioridade para um instrumentista de cordas — seja estudante ou profissional — é tocar com um instrumento que soe de acordo com seus padrões pessoais. Sempre houve a questão de saber se, ao escolher uma ferramenta musical, vem primeiro o violino — ou a viola, o violoncelo, o contrabaixo, conforme o caso — ou o arco. A grande maioria dos músicos procura primeiro um violino e, depois, um arco. De certa forma, têm razão. Como intérprete, toca-se com mais confiança quando o instrumento soa do jeito que se deseja ouvir. A qualidade do timbre e o volume são inerentes à caixa acústica do violino. Por isso, um arco bem adaptado à maneira de tocar do intérprete e ao violino que ele utiliza tem importância crucial.

O som é produzido pelo braço direito por meio do arco que, conforme seu caráter, é responsável pela articulação e pelo timbre. Um mesmo violino pode soar escuro ou velado, ter articulação clara ou pastosa, conforme o arco com que é tocado. A preferência por um arco pesado ou leve é pessoal e depende da maneira de tocar. Se você produz som pela velocidade do arco ou pela pressão, escolherá um arco em conformidade.

O equilíbrio é uma característica essencial. Um arco bem equilibrado certamente poupa energia e esforço após longas horas de execução. Tomemos como exemplo um arco de violino pesado, entre 62,5 e 64,0 gramas: pode dar uma sensação de conforto se a vareta não for pesada na ponta; ao passo que um arco leve (58,0 gramas ou menos) pode ser agradável na mão se a vareta for firme e bem equilibrada.

O ponto de equilíbrio é medido a partir da extremidade inferior em direção ao meio. Alguns archetiers preferem medi-lo desde a extremidade inferior, sem contar o botão. Outros medem a partir da posição do polegar. Pessoalmente, meço o ponto de equilíbrio desde a extremidade inferior, contando com o botão. Não passam de maneiras pessoais de medir o ponto de equilíbrio.

O nervo é uma das características mais apreciadas pelos instrumentistas de cordas. Uma vareta nervosa é o que traz clareza à articulação. Por outro lado, quando a vareta é excessivamente nervosa, o controle do arco torna-se difícil e o som pode ficar histérico.

Os modelos que utilizo para cabeças e talões são todos pessoais. Procuro deixar a câmbera e o calibre das minhas varetas o mais homogêneos possível. Nunca fiz cópias. Cada arco que faço é um modelo único, desenhado individualmente.

“Um bom arco reúne firmeza e maleabilidade — o suficiente para abraçar as cordas e projetar o som com clareza e calor.”

Arcos & materiais

Faço arcos para violino, viola, violoncelo e contrabaixo. Como há mais violinistas do que violistas, violoncelistas e contrabaixistas, tenho produzido mais arcos de violino do que dos demais. Os arcos de contrabaixo são feitos sob encomenda especial, conforme as especificações do instrumentista. Embora utilize apenas pau-brasil de “folha grande” de primeira qualidade, com mais de 28 anos, cada vareta reage de maneira diferente quanto à câmbera, à resistência e à flexibilidade — daí a variação considerável da faixa de peso. Outros materiais empregados são: ébano africano, chifre de búfalo da Índia, prata de lei, abalone e ormeau (orelha-do-mar), e conchinhas do Golfo do México.